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Para Mim
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Abel da Costa Pereira. Um ‘menino’ de 84 anos, celebrados de fresco em abril, teima em trocar as voltas à idade formal, ou não continuasse ele a imaginar um mundo mágico tal e qual a criança que não se cansa de inventar a felicidade com um pedaço-de-não-importa-o-quê. Tanto melhor se for madeira, e já agora, de pinho certificado.
Em Arganil, onde nasceu e fez carreira ao serviço da autarquia, como leitor-contador de consumos, Abel vai dando asas à sua criatividade, mostrando obra feita ao público que o visita no Mercado Municipal. Assim acontece com o Carrossel dos Sonhos (já lá vamos…), com os muitos brinquedos, as pequenas peças de mobiliário, ou a mini-pista-circuito que, a uma escala reduzida, é toda uma aventura mágica em tributo ao concelho de Arganil.
A arte de marceneiro aprendeu Abel com o pai, José Afonso. Começou aos 12 anos e lá foi limando arestas e ganhando jeito. Chegada a hora do serviço militar, fez as malas para Moçambique, cidade da Beira, onde tudo fez para continuar o ofício, desde logo com o fito de contornar, o mais possível, a tensão flutuante do ar sombrio e perigoso da guerra colonial. Dito e feito: nas horas vagas do quartel e com autorização do comandante, os móveis do soldado Abel não chegavam para as encomendas.
Cumprida a tropa, o regresso a casa e o início de uma carreira como funcionário municipal de tão boas memórias para si e para todos quantos com ele coincidiram ao serviço da autarquia. Em momento algum, pensou arrumar as ferramentas e deixar para atrás a magia dos trabalhos em madeira. No período pós-laboral, durante anos dedicou-se a fabricar colmeias numa oficina própria, negócio hoje exponenciado pelo seu filho mais velho, Abel José, que produz e exporta para mercados tão relevantes como Espanha, França e Reino Unido.
Entretanto, Abel, o pai, continua a sonhar. Com tal intensidade que nos leva, nesta crónica de viagem, de volta ao Carrossel dos Sonhos. Um projeto com três anos de história, apoiado pela Câmara Municipal e pela Junta de Freguesia de Arganil, e que está a encantar miúdos e graúdos em feiras e eventos que acontecem de norte a sul do País. O Carrossel dos Sonhos é alugado por entidades públicas e privadas, o que muito satisfaz o autor e honra as artes tradicionais com a chancela de Arganil.
Apesar da energia invejável e contagiante, Abel precisa, a breve trecho, de passar o testemunho. É que não há artista que resista à vontade de levantar o pé do acelerador, pese embora a imaginação sem limites e o desejo eterno de fazer acontecer.
Moral da história: ART’ABEL – Carrossel dos Sonhos bem merece uma curadoria institucional, a pensar no futuro. Se merece…
*Cliente do Crédito Agrícola da Beira Centro